D. VIOLANTE

A oração é consoladora; a fé póde dar allivío ás grandes magoas; mas para orar é preciso pensar em Deus, para ter fé, é preciso força na alma e eu só penso em Mendo, e na minha alma não ha senão desalento.

FR. BERMUDO

Mendo tambem vos amava muito; e daqui a horas fará voto, na ordem dos Templarios, de consagrar a vida ao serviço de Jesus-Christo.

D. VIOLANTE

Mendo é homem, tem força no coração. A dôr—bemdicto seja Deus!—não lhe matou a alma, como a mim.—Olhae, fr. Bermudo, eu já não posso viver, e a morte não me faz horror, antes a amo, e a desejo. Mas o que me assusta é a dôr; é a idéa de me sentir rasgar o coração com um ferro, ou ficar dilacerada ao deitar-me n'um precipicio, que me repugna.—São isto sentimentos que um homem como vós, de coração forte, não póde comprehender talvez!

FR. BERMUDO

Eu comprehendo, e respeito esses sentimentos.—As obras de Deus, a belleza e a graça, só a mão sacrilega de um barbaro as póde destruir sem horror.

D. VIOLANTE

Não seria possível alcançar, por um desses venenos que a sciencia tem descoberto, uma morte, sem dôr, e sem agonia?