D. MENDO
Quem te não ha de perdoar? O que ha que perdoar a um anjo tão puro como tu?
D. VIOLANTE
Mendo, eu bem sei que a honra da tua familia foi offendida: e que ha offensas que um cavalheiro da tua linhagem não deve deixar sem vingança... É assim que pensam os homens; mas Deus condemnou a vingança como um crime abominavel: e tu, Mendo, daqui a pouco vaes professar n'uma ordem, instituida para servir a Deus.—Mendo, pela religião... e pelo nosso amor que foi deixa-me fallar-te ainda uma vez desta felicidade que já passou—pelo nosso amor tão suave para mim, e para ti tambem, Mendo, peço-te por esse amor que perdoes, que esqueças, que te não vingues do pae da tua Violante.
D. MENDO
Violante, eu... sabes como te amei, sabes como te quero ainda; que esta separação não é angustia só, é a morte para mim!—Escuta, minha Violante.—Não sei se meu pae me amaldiçoará da sepultura; mas faz-me horror a idéa de odiar teu pae; e vingar-me delle por minhas mãos, não o hei-de fazer nunca.
D. VIOLANTE
E perdoas-lhe?
D. MENDO
(Depois de uma pauza.) Perdôo.