Ponhamos em diálogo a doutrina:

Que letra é esta?Rêr.

Porque se chama rêr?Porque vale rr... e r'.

Quando vale rr...?Em vindo no princípio ou dobrado.

E em não vindo no princípio, ou dobrado, o que vale, ou como se lê?R'.

Não é necessario trazer para aqui as vogaes, como se costuma: isso impõe ao principiante uma distincção inutil, porque tanto vale o r entre vogaes, como entre vogal e consoante. Escusa tambem ensinar as excepções ao discipulo: como o r, se profere tocando a lingua no ceo da boca, e o rr... consiste na repetição desse toque (gemendo ou vozeando ao mesmo tempo), a affinidade desses dois valores, e o mesmo estylo da lingua leva o discipulo a reforçar a inflexão, quando lhe destoa proferida simplesmente. Difficuldade acharia elle em o não fazer, por exemplo, em carne e melro, ou vice versa em tenro e arlequim: pois antes ou depois de l, o r é guttural. E o mesmo podemos dizer a respeito de n; mas advertindo que, por exemplo em tenro, não é necessario que o n sôe como letra (ou inflexão); basta representar de til.

Estas observações dirigem-se ao mestre: e ainda ao mestre, á excepção de alguma indicação prática, o mais que deixamos nestas notas não merece especial reparo; nomeadamente as razões de ordem. Chamando a isto methodo, cabe-nos mostrar que o é; mas para fazer breve e commoda jornada por uma estrada recta e plana, não é necessario saber como a traçaram e construiram.

O r guttural é inflexão instantanea porque se reduz em última anályse a um toque de lingua no ceo da bôca; é inflexão prolongavel porque se forma repetindo esse toque indeterminadamente; e é voz porque o gemido (como lhe temos chamado) com que proferimos v, z, j, e de que igualmente depende o r guttural, não é senão o fôlego elevado ao grau de vibração, ao grau de voz. Propriamente fallando, a voz só se emitte de bôca mais ou menos aberta, e sem intervenção sensivel dos orgãos mudos. Mas á parte esta intervenção e a propriedade do termo, n'aquellas quatro inflexões ha voz. Tanto assim que bem podemos esboçar distinctamente qualquer melodia, modulando-a n'alguma das inflexões v, z, j, r...

Estas são verdadeiramente as letras semi-vogaes: não—aquellas cujo nome começa e acaba por vogal. O que terá o nome com a cousa!

A letra r, pela sua frequencia e pelos seus accidentes de posição e número, merece uma lição com consoantes certas, e outra com consoantes incertas. Em seguida daremos, para desfastio do alumno, um pequeno diálogo. Se o mestre não julgar inutil este exercicio, applique ás palavras a, o, a regra do a, o, finaes; e diga que o e simples lê-se i. O alumno reconhece as maiusculas, e a pontuação não o embaraça. Appliquem-se as regras conhecidas.