Vamos ao s, quinta das consoantes incertas, e segundo degrau da escada, de que fallámos na lição passada.
Esta consoante é frequentissima: nella acabam metade das vozes dos nossos verbos, todos os nossos pluraes de nomes, pronomes, participios, e de quasi todos os adjectivos; não fallando nos infinitos casos em que figura no principio e meio de palavra, já antes, já depois de vogal; e tambem antes e depois de consoante, como em sciencia e psalmo.
Póde-se estabelecer a regra que o s no fim de palavra ou syllaba, vale x...; por exemplo, custas. Mas cumpre advertir que isto, sendo geralmente verdadeiro, não é exacto; porque o s (assim como z e x finaes), vindo no fim de palavra á qual se siga immediatamente vogal, vale z...; por exemplo, os olhos, que se lê como se estivesse escrito ozolhos; e seguindo-se-lhe immediatamente consoante, que não seja ç, f, p, q, t (ou equivalente de ç e q), então vale j; por exemplo as vozes, que lemos como se estivesse escrito aj vozes.
Mas estas advertencias são puramente theoricas ou antes, escusadas no ensino; pois não se trata de ensinar a ler a estrangeiros, e sim a portuguezes mais ou menos práticos na lingua. Pela nossa parte não costumamos prevenir os nossos discipulos, para a lição do s, com mais doutrina que a contida no seguinte diálogo:
—Que letra é esta?—Sezêxe.
—Porque se chama sezêxe?—Porque vale ç... z... x...
—Quando vale ç...?—No princípio e dobrado.
—Quando vale z...?—Entre vogaes.
—E quando vale x...?—No fim de palavra ou de syllaba.
Com este pouco temos o bastante para o nosso discipulo acertar as mais das vezes, e senão, para o convencermos de que desmentiu a regra, o que em geral nos é tão agradavel como se a observasse, pois nos dá occasião de o fazermos raciocinar.