—Porque se chama metíl?—Porque umas vezes vale m', outras vezes vale de til.
—Quando vale m'?—Com vogal adiante.
—E quando vale de til?—Com vogal atraz.
—Portanto, com a, e, i, o, u atraz, como se lê?—Ã, ẽ, ĩ, õ, ũ.
—Tambem se lê ã no fim de palavra?—No fim de palavra não se lê ã; accrescenta-se u; lê-se ão.
m meu umas mãos limões moças comer amigas gemer morrer mães maçãs irmãos queimaduras romãs mexer
em im om um vim fim sim assim algum alguem atum emfim quem tambem som com Joaquim riem limpem jejuem tomem afiem tremem caiem comem ardem fumem temem lêem compararem emmassarem emmalarão
iam durmam amam temam ficam raspam levam puxam viam zurziam tocam armam ligam sumam emmagreçam complicariam |
VIGESIMA TERCEIRA LIÇÃO
Chegámos finalmente ao n, última das consoantes incertas, que á similhança do m umas vezes é letra, representando inflexão; outras vezes é simples signal nasal, valendo de til; outras vezes nem representa inflexão nem vale de til; outras vezes vale de til e representa inflexão; e ainda outras vezes, accentuado ou carregado com o h, vale a inflexão conhecida, de que havemos de tratar.
Propriamente um caracter só é letra quando representa um elemento mais ou menos distincto da palavra fallada. Ninguem diz que vã se escreve com tres letras, porque nem a anályse nem o ouvido distinguem senão duas partes nessa palavra. Ora se em vã ha só duas letras, tambem ha só duas letras em van. Se chamamos letra a este último caracter, é referindo-nos ao papel que elle muitas vezes representa, e para não estarmos com explicações e rigores desnecessarios: mas fallando com exactidão, aqui o n não passa dum signal.
Quando é letra profere-se pegando a lingua ao ceo da bôca: pegando-se ou despegando-se; estes termos são geralmente reciprocos no valor fysiologico das letras; para se despegar, tem de se pegar. Mas se merecesse a pena levar a anályse a uma certa altura, diriamos que mais consiste aquella inflexão no apego que no despego, pois como se póde observar em iman, pollen, talisman, em summa nas palavras onde o n final vale inflexão, este n profere-se perfeitamente deixando a lingua pegada ao ceo da bôca: o mesmo que dissemos do l, ao qual, apezar da differença para o ouvido, se assemelha muito na pronuncia.