INDICE

Pag.
A poesia[1]
A uma carta anonyma[4]
Duas rosas[5]
A uma mulher[8]
A D. Candida Nazareth[11]
Amor[14]
A donzella e o musgo[17]
Ultimo adeus[23]
Rosas[26]
Rosa e rosas[28]
A Hermann[30]
Presentimento[33]
Marina[36]
I—Apparição[36]
II—Saudade[39]
III—Eternidade[41]
IV—... 21 de setembro[42]
N'um album[46]
Beijo na face[49]
Thuribulo suspenso inda fluctuo[53]
Luz d'intima influencia[55]
Resposta[58]
Pois se o homem, se anjo e nume[59]
Flôr e borboleta[62]
Remoinho[64]
Amores, amores[71]
Fabula[73]
Boas noites[74]
Gaspar[76]
Deixa que ao romper d'alva o cravo abrindo[77]
Carta[79]
Dá-me esse jasmim de cera[85]
Margarida[87]
No leito nupcial[90]
A minha mãi[93]
Beatriz[94]
Innocencia[97]
A Escriptura Sagrada[101]
A um Nuno[104]
A ***[105]
Luz da fé[107]
Resposta[112]
Meu casto lirio[113]
Ventura[116]
Arida palma[117]
A uns olhos azues[119]
Heresta[121]
Fragmento[129]
Se ao enlaçal-a no peito[145]
Nunca me ha-de esquecer[146]
Dinheiro[147]
Duvida[150]
Caturras[154]
Foi-se-me pouco a pouco amortecendo[160]
Mãi e filho[170]
Toca a capello, vou vêl-o[173]
Amas, pobre animal! e tens tu pena?[174]
Não![175]
Na folha d'um romance[181]
Lagrima celeste[182]
Descalça![185]
Adeus![187]
A Victoria Colonna[190]
N'um convento[191]
Sonho[193]
Á vista d'um retrato[196]
A lua[198]
Joven captiva[200]
Mulher! quando nos braços[203]
Um beijo[205]
Francisca de Rimini[207]
Paixão[212]
Escreve[214]
Malmequer[219]
Virginia[221]
Primeiro psalmo de David[227]
Segundo psalmo de David[229]
Cantico dos Canticos de Salomão[231]
I—Chegada[231]
II—Entrevista[239]
III—Sonho[242]
IV—Noivado[244]
V—Surpreza[251]
VI—Passeio[259]
Ouviste-me não sei quê[266]

A POESIA

EMBLEMA

Camões e Byron—Scepticismo e Crença

Vem d'alto gozar, lirio!
Noite estrellada e tepida;
A vista ao céo intrepida
Lança, penetra o Empyreo.

Dilata os seios tumidos;
Larga este terreo albergue;
Nas azas d'alma te ergue;
Ergue os teus olhos humidos

Que vês?—Soes, de tal sorte
Que os crêra tochas pallidas,
Quando as guedelhas, madidas
De sangue, arrasta a morte.

—Transpõe-n'os; que, elevando-te,
Por cada um d'aquelles,
Milhões e milhões d'elles
Verás alumiando-te.

Ávante pois, acima
Dos soes d'uma luz tremula;
Alma dos anjos emula!
Deus o teu vôo anima.

Que vês?—Um vacuo eterno.
—E n'elle?—Em ermo tumulo,
Em ignea letra (cumulo
D'horror) Byron—o inferno.

—Foge.—O horror fascina-me.
São reprobos que exhalam
Horridos ais que abalam
O inferno: oh Deus! anima-me.

—Escuta-os.—Escutemol-os.
Como elles bramem, rugem,
E o espaço uivando estrugem...
Gelam-se os membros tremulos.

—Entra.—Não posso.—Arromba.
—Prohibem-m'o.—Subleva-te.
—Prohibe-o Deus.—Eleva-te.
Acima, ingenua pomba!

Que vês? A luz clareia-me.
Que céo, que azul ethereo!
Oh extasi, oh mysterio!
Sobeja a vida, anceia-me.

—Falla.—Deus! que harmonia!
Aqui a alma exalta-se;
A alma aqui dilata-se...
Camões!—É a poesia.

Coimbra.

A UMA CARTA ANONYMA

Não sabe a flôr quem manda a luz do dia,
Nem quem lhe esparge o nectar que a deleita
Ao vir raiando a aurora,
E ella agradece as lagrimas que aceita,
E ella as converte em balsamos que envia
Ao mysterio, que adora.