O seu temperamento e rara energia resistiram ainda por muito tempo ás vicissitudes da sua existencia atribulada, pois que tendo publicado o Testamento em 1838, só veio a fallecer 12 annos depois, em 15 de Janeiro de 1851.

Embora publicadas em sua vida, algumas das suas composições, senão todas, são hoje rarissimas. Innocencio dá o catalogo d'ellas, a que juntaremos uma Ode dedicada ao seu amigo dr. José Valentim d'Oliveira e Gama, a qual reputâmos inedita e que brevemente publicaremos.

+A João de Figueiredo Maio e Lima+

D'um destino cruel ferio-te a farpa…
Véo de prantos nas faces te desceu!
Em lagrimas soltaste então da harpa
Tristes cantos de dôr, que me prendeu.

Tu havias cantado a relva, as flôres
O estendal de matiz do patrio Sôr,
E o gorgeio das aves, e os pastores,
E d'estes o singello, ardente amor;

As campestres choréas… as meiguices
Da pastora gentil ao seu dilecto…
Do amor juvenil as mil doidices…
Vehementes canções d'um igneo affecto;

Aquellas confissões, que d'alma sahem
Á luz da meiga lua, junto á fonte…
E as promessas, que a flux dos labios cahem
E os adeoses, que curvão triste a fronte;

Aquelles sins soltados tão medrosos
Em tapetes florídos nos rosaes…
Aquelles mil protestos calorosos,
Que d'amor a chamma accendem muito mais!…

Quando a patria depois pedio teu braço,
Tu da patria o pendão seguiste altivo;
Mas sempre da ventura o sopro escasso!
Mas sempre da intriga um traço vivo!

Tu infloras então o aureo plectro
Das saudades, que tens, co'a roxa flôr;
Relembras, Figueiredo! em triste metro
Os tempos juvenis no argenteo Sôr;