E os jardins amenos do teu rio Mais doces, mais mimosos, mais dourados [1] De mais verde tapete e mais macio Que os Jardins das Hesperídos sonhados!

[1] Os versos em letra italica são tirados da varias composições do poeta Figueiredo.

É de ver como então plangente endeixa
Lembra o tempo da tua Marcía qu'rida,
Como em terno suspiro a dor se queixa,
Como a alma na dôr se vai perdida!!

E tu cantas tambem, como aborrias
Do Sacerdocio a vida destinada,
Pensando em modos mil, por que podias
Sem ser padre no Céo dar a entrada!

Contra a França em soccorro a patria chama
Ai! do filho! que a mãe não vio bradar!
Brandos myrthos, que a doce Venus ama
Pelos louros mavorcios vaes trocar!

Longo tempo nas armas é passado
E mão clemente a banda te cingia…
Mas pela cara irmã (rigor do fado!)
Dragona solitaria em vão carpia.

Mais tarde, Lima! a Virgem Durindana
Trocaste pela estolla, pelo altar;
Como dizes, rubra cinta ao Guadiana
Aureas franjas e elmo vaes lançar.

Mas n'essa nova senda ora trilhada
Sempre as plantas o espinho vem fender;
No fatal Testamento desfolhada
A rosa da ventura vês morrer!

É certo, Figueiredo, que imprudente
Foste um pouco no acceso imaginar!
Ergueu-se em altos vôos teu estro ardente,
E não viste o calyx sancto, o teu altar!!

Pobre Vate! O arrojo bem pagaste!
Em tetrica masmorra o pranto cae!
Mas d'um anjo o amparo emfim ganhaste, [2]
Adeja bemfeitor, soltar-te vae!