EXCELENTÍSSIMO PRESIDENTE:

A cidade de Coimbra recebeu-vos com os sentimentos da mais sincera elevação e nobreza que os seus brios patrióticos impõem a uma condigna saudação ao Supremo Magistrado da Nossa República.

Aprumou-se numa exaltação jubilosa, para que pudésseis medir a envergadura do seu entusiasmo; mas curva-se, perante Vós, na reverência profunda do seu respeito à dignidade da alta Magistratura que representais.

Vão, pois, os nossos cumprimentos à Vossa Pessoa ilustre, frementes do sentimento profundo que o mais acrisolado patriotismo pode acender em corações portugueses.

A subida honra da visita de Vossa Excelência a esta Cidade, marca, nos fastos da sua história brilhante, uma data de relevo e esplendor seguramente nunca excedido, se é que alguma vez já foi igualado.

De esperar seria, pois, que, aqui, na minha voz, ressoasse um eco, ao menos, dêsse entusiasmo que canta e ri em todos os corações, e dessa alegria que trasborda dos peitos de todos nós, como filhos desta Pátria querida, agora aconchegados em torno do mais ardente dos seus corações e da mais fúlgida das suas almas.

Mas onde há dotes de eloquência rara, ou àsas de inspiração profunda, que possam apanhar em síntese{5} as vibrações que enchem estes ares de harmonias, ou iriar com brilhos aurifulgentes as facetas rútilas do alto sentimento patriótico que, em Vossa Excelência, se incarna divinamente?

Eu quisera ser o taumaturgo ou o iluminado capaz de caldear, nas forjas duma alquimia sobrenatural, as almas e os corações, num bloco de diamante, onde fulgurasse a condensação luminosa das radiações dos mais puros ideais; porque, então, no silêncio duma comoção profunda, eu passaria da minha mão à vossa mão, esse bloco mudo que, só nas scintilações do seu brilho, vos diria melhor que todas as frases, qual a moeda de gratidão com que a Cidade de Coimbra pagava a subida honra de Vossa visita.

E eu não Vos diria nada.

Mas nessa síntese sublimada da quintessência dos puros ideais, Vós saberieis ler tudo; porque em todas as faces brilhariam reflexos da Vossa luminosa Alma sublinhados pelo nosso amor, e de cada aresta chispariam scintilações como os relampagos da Vossa eloquência, falando-vos assim a Alma de Coimbra, num simbolismo de luz, a única linguagem digna dEla e de Vós.