Tornou-se notada a preocupação da rapariga, doidivanas proclamada em todos os festivaes de Cythera. Não houve galanterio de admiradores que a distrahisse da tristeza em que mergulhara. Nem os mais requebrados maxixes conseguiram chamal-a ao salão de baile. Pedidos, supplicas, ardentes appellos ao seu primitivo enthusiasmo choreographico, tudo foi impotente.
—Que terá hoje a Paquinha? perguntavam uns aos outros os moços, intrigados.
—Partes! diziam as demais mulheres, com sarcasmo.
Breve, porém, houve a explicação do caso. Julio acabava de chegar; a um chamado da tentadora tapuia, enlaçou-a n'um orgulho, e o bello par fez irrupção na sala, rodopiando ao som de um boston.
—Ah! disse em côro quasi toda a assistencia, comprehendendo.
—Temos novidade! exclamou um velhote careca, de barba ponteaguda e olhinhos amendoados.
—Paixão, disque! motejou uma valsista esgrouviada.
Emtanto, Julio e Paquinha deslizavam com subida elegancia, ao rythmo da musica, falando baixo, no aconchego de intensa ventura.
Terminada a valsa, a rapariga conduziu o cavalheiro para uma janella da ante-sala. Na altura do sobrado, que sobrepujava os predios adjacentes, brisas suavissimas corriam sob a luz serena do luar. Uma ternura sem limites dilatou-lhe a alma enamorada. E ali, no afastamento, ao som d'um preludio de quadrilha, Paquinha tomou uma das mãos de Julio e segredou, com a emoção a sacudir-lhe a voz:
—Se eu te amasse?...