E ella estava sempre pallida, encostada levemente á grade do camarote.
Nos labios tinha ingênuo sorriso, que espiritualisava-lhe a expressão da sympathica physionomia.
Um engraçado diabrête, primo d'ella, brincava-lhe com o leque.
Quem binoculisasse aquelle camarote, havia de sentir apoderar-se-lhe da alma uma commoção de piedade, tal era a melancholica tristeza evolada d'esse logar, d'onde ella dirigia o seu negro, o seu profundo olhar para a platéa, cujo ambiente saturava-se mais e mais dos effluvios de lindos lenços rendados, dos perfumosos lenços discretos das jovens damas....
E aquella encantadora creança que, sempre triste, encostava-se á grade do camarote, apresentava na pallida physionomia os vestigios do soffrimento, que tanto a tornava sympathica aos olhos da burguezia austeramente séria sob a luz intensa do lustre.....[{23}]
[Desillusão]
[A Fontes de Carvalho]
A sra. d. Joaquina era uma d'essas impagaveis solteironas, que vivem sonhando amores e descobrindo tímidas paixões nas palavras alegremente zombeteiras dos moços que fingem cortejal-as por distracção.
Tinha ella a tez,—enrugada e molle como a casca do janipapo maduro,—salpicada d'essas manchas amarellas a que chamam sardas; encobria-as, em parte, com grandes e repetidas camadas de pó de arroz, comprado[{24}] sempre na Loja Mariposa, da qual o co-proprietario Affonso,—o sympathico Affonso,—vendia-lh'o com muita dóse de réclames e chamadas de attenção para a superioridade da fazenda.
Usava uns vestidos fóra da moda, mal feitos, com algumas nódoas, nos quaes primavam os enfeites vistosos,—uma garridice da sra. d. Joaquina.