Poz-se a pensar nas passadas e saudosas épocas da sua felicidade, fruída com a finada mulata, a quem tanto queria, no meio da vegetação selvatica e cheia de grandiosidade das florestas amazonicas...

E um suspiro profundo, traduzindo uma saudade dolorosíssima, respondeu áquelle[{67}] beijo nascido de duas bôccas amantes no silencio de tão linda noite paraense.

Entretanto, a canôa seguia mansamente, rio abaixo, impellida pela correnteza.[{68}]
[{69}]

[Ao despertar]

[Ao sr. A. R. d'O. Gomes]

Nem tudo o que luze é ouro.
PROVERBIO POPULAR.

[I]

A alcova nupcial em noite de noivado.

Um perfume suave de flôres volita invisivelmente pela atmosphera da peça, exhalando-se dos grandes vasos de porcellana, onde as rosas variegadas em côres desabrocham opulentas, reflectindo-se nos espelhos e como espiando curiosas para o leito de alvas cortinas[{70}] discretamente cerradas... Uma lámpada com vidros baços, côr de leite, esparze branda luz em torno, sem crepitação, n'uma solenne impassibilidade, que dá certo ar magestoso ao silencio do recinto.

Dois pares de pantufos de sêda branca escancaram as cavas como n'um bocejo, sobre a fina alcatifa azul, aos pés da cama.