Alegras-te sem cessar em tua brilhante carreira. Quando o mundo está sombrio pelas tempestades, quando o trovão ribomba e vôa o raio, saes radiante do meio das nuvens e ris do furacão!
Mas, ai! em vão brilhas para mim! O velho bardo já te não vê os raios, quer fulja a tua doirada cabelleira entre as nuvens do oriente, quer trema ás portas do poente a tua luz bruxoleante.
Mas talvez, como eu, só possuas uma estação e teus annos terão um termo: virá talvez um dia em que empallideças no meio da carreira e a aurora proxima em vão esperará o teu regresso.
Regosija-te, portanto, ó sol, na força da tua juventude! A velhice é triste e abhorrecida: parece-se com as tíbias claridades da lua, as quaes perdem-se entre nuvens dilaceradas pelo vento norte, quando este semeia ao longe as estevas murchas, quando o humido nevoeiro envolve a collina e o viajante transido tirita nos caminhos desertos....[{91}]
[2] Vertido de Ossian.
[V
Remember]
[A Paulino de Brito]
[I]
Não tens então no peito a minima raiva contra mim?—perguntei-lhe admirado, fitando-a todo commovido pelo prazer das recentes pazes.
—Não! confirmou a rir, sacudindo a loira cabecinha tentadora, onde os loucos anneis dos seus cabellos tremulavam faceiros, n'uma opulencia, n'uma prodigalidade de adoraveis effluvios fascinadores. E toda a sua pequenina pessoa,[{92}] delicada e meiga, parecia desabrochar as florescencias gentis das suas graças, dos seus divinos dotes triumphantes em meio á pujança da invejavel mocidade!