Nada o assusta, nada o intimida, pois tem a certeza de que todos aquelles montanhezes simplorios amam-n'o sinceros e respeitam-lhe os conselhos de paz e bondade.
Quando começou o movimento abolicionista na Fortaleza, o recto sacerdote arvorou-se em defensor dos escravisados na sua modesta parochia da serra de Baturité. Em poucos mezes, graças a seus esforços e á illimitada sympathia que a todos inspira, as aldeias sob o seu vicariato não tinham um sêr captivo: todos eram eguaes!
Quando sae de casa, encaminhando-se á pequena egreja, cuja torre branca de neve lança-se para o firmamento no alto de verdejante collina, as creancinhas, que bricam ás portas das casas, acodem a beijar-lhe a mão e as mães saudam-n'o respeitosas, balbuciando uma benção....
Aos domingos, á prédica do Evangelho, vi-o, por differentes occasiões, fazer com a uncção de sua palavra, que as lágrymas borbulhassem nos olhos dos assistentes. Domina-os a todos com o seu irreprehensivel[{88}] modo de viver, fertilíssimo em bons exemplos.
Nada possue: dá tudo aos necessitados, sem ostentação, naturalmente!
Ah! bemdito sejas tu, Providencia da pobre aldeia, ó caritativo sacerdote de tez morena e olhar carinhoso como um conselho de Jesus!....[{89}]
[IV
Ao Sol][2]
[A Fernando A. da Silva]
Ó tu, que rolas por cima de nossas cabeças, resplandecente como o escudo de nossos paes; d'onde saem os teus raios, ó sol? D'onde vem a tua luz? Caminhas em tua magestosa formosura. Vendo-te, escondem-se as estrellas no firmamento; pállida e fria, a lua afoga-se nas ondas do occidente. Ficas sosinho, ó sol: quem poderia acompanhar-te o curso?[{90}]
Caem os carvalhos das montanhas; as proprias montanhas são minadas pelos annos; o oceano eleva-se e abaixa-se alternadamente; a lua eclipsa-se no fundo dos céus; só tu és sempre o mesmo.