D. Constança

Santa Izabel falleceu aos 4 de julho de 1336, e, quatro annos depois, foi Alemquer doada a D. Constança, malograda esposa de D. Pedro, o cru.

Era filha, a Infanta, do Principe de Vilhena, D. João Manoel e de sua primeira esposa, D. Constança; bisneta de D. Fernando; o santo, rei de Castella, e neta materna de D. Jayme II d’Aragão.

O monarcha castelhano, comprehendendo a politica do astuto visinho, oppoz-se á sahida da princeza, tolhendo-lhe a passagem pelo seu territorio. O portuguez declarou-lhe guerra, e, se não fossem Roma e França, esta contenda seria prolongada e inutil, porque o capricho do castelhano e as forças de Affonso IV eram indomaveis.

Acabada a pendencia, graças á intervenção estrangeira, entrou D. Constança no paiz de seu marido.

Foi pouco duradouro o consorcio; a princeza, poucos annos depois, exhalou o ultimo suspiro, sendo sepultada em Santarem.[15]

Viera acompanhada de brilhante sequito de damas, resplandecendo entre todas a peregrina Ignez de Castro, a quem D. Pedro immolou o coração. Talvez que na morte da desgraçada senhora os olhos do esposo brilhassem, ao encontrarem-se com os da formosa Ignez! Talvez que a esposa, no leito de dôr, não sentisse ao seu lado o palpitar ancioso do coração do marido, que suspirava de jubilo por ver surgir no horisonte o momento feliz de poder, mais á vontade, chamar sua áquella que amava!...

Tudo póde ser! mas, se assim foi, a hora da justiça soou tremenda e lugubre, quando a felicidade deslizava tranquilla por entre aquelle amor louco, immenso, incomparavel!