Essa creancinha que ella, mãe extremosa, acalentava, era D. João II, o futuro Grande Rei que, com barbara, mas bem merecida justiça, vingaria a morte de seu avô.
No emtanto, os odios ainda não estavam extinctos e os promotores da catastrophe da Alfarrobeira estimulados pela rehabilitação do antigo regente, decidiram pôr termo á vida da filha, causadora de tal desgosto.
Apezar de não ser ponto averiguado, é tradição seguida, que a causa da morte d’esta rainha (2 de dezembro de 1455) foi a peçonha ministrada pelos inimigos de seu pae, terriveis feras que depararam mais tarde com um terrivel vingador.
Hoje D. Izabel jaz na Batalha, a grande epopeia de pedra da nossa nacionalidade. A Historia presta-lhe o culto da santificação pelo martyrio que enaltece as almas na perpetuidade dos seculos.
D. Leonor de Lencastre
A Historia retrata-nos Affonso V como um dos soberanos mais voluveis e ambiciosos que se tem sentado no throno portuguez. Filho de D. Duarte o fraco mas sabio rei, e de D. Leonor, casta mas censuravel rainha, Affonso V mostrou que não degenerára dos seus progenitores.
Amou as lettras e protegeu-as, proseguiu no augmento da bibliotheca de seu pae, e continuou as emprezas africanas conforme os desejos de D. Henrique.
Alcacer Ceguer (1458) Tanger e Arzilla (1463) são monumentos que attestam o patriotismo que lhe adornava a alma, áparte a volubilidade e a ambição.