Comparações com a colonia ingleza do Natal; algumas apreciações dos nossos vizinhos ácerca do paiz que visitei; da nossa administração e modos de proceder

O cônsul O'Neill em um dos relatorios que, como consul de Sua Magestade Britannica na provincia de Moçambique, é obrigado a fazer annualmente, diz o seguinte: «Situada entre o territorio do sultão de Zanzibar e a colonia do Natal, está a provincia de Moçambique, que em nada é inferior a qualquer d'estes dois paizes e lhes é muito superior pelos seus numerosos portos, pelas vias naturaes de communicação,{25} que permittem attingir facil e economicamente grandes distancias no interior; e comquanto a colonia de Natal muito pequena, de recente creação veja elevar os seus rendimentos a X (não cito cifra por não ter o documento presente), comquanto Zanzibar com todos os contras da civilisação arabe renda Y, a provincia de Moçambique rende apenas Z (uma pequena fracção de Y, já muito inferior a X).

O motivo da differença, tão contraria nos resultados, quando as condições naturaes são todas a favor da provincia de Moçambique, só póde ser devido á differença dos processos empregados.

Os rendimentos da provincia do Natal foram em 1882 de £657:737, e o valor das exportações feitas por cima da barra quasi inaccessivel do porto de Durban foram de £731:309. Dados muitos recentes mostram que o valor das exportações pelo mesmo porto subiu em 1884 á respeitavel somma de £957:918 ou mais de 4.300:000$000 réis; sendo £523:377, ou mais de 2.300:000$000 réis, do valor de lã (a maior parte da qual, devo dizer, vem de fóra da colonia, do Transvaal e da republica de Orange); £185:131, ou 832:000$000 réis, de assucar, e mais de 360:000$000 de réis de pelles de animaes. O seguinte artigo, cortado do jornal que mais aversão nos tem, o Natal Mercury de 18 de novembro de 1884 na geralmente intrigante e invejosa colonia de que estou tratando, mostra quaes foram os rendimentos do porto de Lourenço Marques quando subitamente elevados por uma causa que então foi passageira, e as observações que sobre esta circunstancia fazem.

A construcção do caminho de ferro que com felicidade consta vae finalmente realisar-se por uma empreza portugueza, bem depressa mudará o présent régime n'este porto, e lhe affirmará a superioridade que este mesmo jornal diz que elle terá logo que se verifique a expulsão dos portuguezes pelos allemães em toda a costa oriental de Africa, como elle tão inconsequentemente mostra desejar.

Junto dois pequenos artigos n'este sentido.

«Better far have one small German settlement near us than any number of miserable and wretched Portuguese colonies which never have and never can benefit either settlers or aborigines, but which are simply a curse wherever they have taken root on African soil.»

«We colonists might well hail with delight the proclamation of German rule over the territories stretching from shore to shore north of the Limpopo and its parallel, and south of the Congo. A German empire in those regions would form a magnificent background to an Anglo-African Dominion on this side.»

The trade of Lourenço Marques

«Accustomed as we are to regard Delagoa Bay as a formidable competing port in its relation towards the trade of the Transvaal, we are apt to exaggerate the real proportions of the trade done there. Through the courtesy of Mr. de Costa we are able to give the following summary of the monthly returns of trade at Lourenço Marques for the present year:{26}