Taborda, altivo heroe da gargalhada,
Que dominas no palco com bravura,
Quando vier sobre ti a morte escura,
Hade sentir-se humilde, deslumbrada.

E rindo a vez primeira enthusiasmada,
Desfranzindo a medonha catadura,
Ao vêr-te e ouvir-te em alegria pura,
Despedaça a féra clava ensanguentada.

Como subjugas cauto a morte ingrata,
Vences tambem risonho a dúctil alma
D'esta multidão gélida, pacata.

E Satan abysmado diz em calma:
—Sim?!… Mais almas do que eu elle arrebata?
Já Diabo não sou!… Leva-me a palma.—

*Antonio Pedro*

Antonio Pedro, astro fulgurante
Que cruzas do tablado a vasta senda
Como guerreiro impavido da lenda,
Que, em busca de proesas, vaga errante.

Eil o cingindo as armas de diamante!
Sem que o cansaço, ou vil temor o prenda,
Cada vez mais se engolfa na contenda,
Em prol da esquiva fama alti-sonante.

Quando o veu do futuro descortino
No alcáçar da justiça, que rebrilha
Sabeis o que descubro, e vaticino?

(Isto me pasma! transporta! e maravilha!)
Votado a berço humilde p'lo destino
Filho do povo,—a Gloria—te perfilha!

*Mysterioso abysmo*