N'essa titilação fosforescente,
Lagrima-esmalte da urze tão subtil,
Abrandas as escarpas da torrente

Mensageira do lascivo mez de abril
Quem te não ama, o coração não sente
Miniatura com petalas d'anil!

*Vendetta*

Juraste a minha perdição, ingrata,
A quem adóro como adóro a vida
Casta flôr, flôr de neve estremecida,
Que sorris, quando o teu olhar me mata.

Gravei no peito aquella rubra data
Em que te vi, amor! qual na avenida
Se entalha na fiel casca endurcida
O nome da huri, que nos maltracta

E, apesar de seres tão bella e mansa,
Folgas que a desventura me persiga
Dilacerado de cruel esp'rança.

Seja assim! É atroz minha vingança,
Pois que amôr e odio tanto me castiga,
Cada vez te amo mais, dôce inimiga.

*Desditosa cecem!*

Pobre flôr, que se estiola
Na vertente da montanha,
Ninguem aqui te consola
Fria sombra te acompanha.

Commoção que te desola!
Uma peçonhenta aranha
Sobre a nitida corolla
A sua rede emmaranha!