Quem te lançou no degredo
D'este acerbo pavimento
Para te olvidar tão cêdo?
—A meus paes fugi mesquinha
Fugi nas azas do vento
Triste sorte foi a minha!…
*O Marquez de Pombal*
Le Roi Faineant cerrará os olhos
E partira entre nuvens para o ceu
Surge, depois, na côrte um escarceu
Que brame da vingança nos escolhos
D'altas vagas de bronze nos refolhos
Poz a Intriga um galeão como trofeu
A effigie de Pombal tinha em labeu
Jaz na poeira, no olvido, e nos abrolhos.
Então a Inveja alastra a baba escura
Qual serpente, que as roscas ennovela
E a empreza do ministro transfigura.
Entretanto o Marquez com amargura
Diz fitando a grosseira caravella:
—Lá te vaes Portugal agora á véla.—
*Abandonado!*
Uma fita prendi côr de saphira
No leve, tenue pé d'uma andorinha;
Este anno regressou a pobresinha
E junto ao ninho seu constante gira.
Quando o sol no horisonte se retira
Esvoaça em redor de mim sósinha;
Tambem esta alma, soffrega, mesquinha
Por ti enfeitiçada geme, expira.