Ella na espuma branca, qual arminho
Foge no mar á raiva dos açores
Não perdendo a lembrança do seu ninho

Só tu na primavera dos amores,
Como vibora occulta em rosmaninho,
De mim te olvidas na estação das flôres.

*Garibaldi*

(Fallecido a 1 de junho de 1882.)

É morto o condottiere, o paladino
Soldado da rasão e da justiça
Forasteiro, que o sangue desperdiça
Nas refregas do tragico destino.

Genio do bem, suave e peregrino
Estatua de luz e amor toda massiça
A cujo aspecto a multidao submissa
Se agrupa em alvoroço repentino,

Guerrilheiro da America indomavel
Espada de Dijon, e da Marsalla,
De Napoles e Roma inconsolavel!

O solitario de Caprera é morto,
E, quando o heroe no tumulo resvala,
Um calafrio gela o mundo absorto.

*Imprecação*

Para que te amava eu? Corpo d'espuma
Cruel enlevo de labios setinosos
Onde bailam desejos luminosos
Estrella, que de luz o ceu perfuma.