Para que te amava eu? Que densa bruma
Me offusca de saudade em tons nervosos
Desfolhando com gritos lacrimosos
As petalas d'amôr uma por uma?
Para que te amava eu? oh! praza aos ceus
Que em quanto o sol girar pelo universo
Naufragues da paixão nos escarceus.
E porque soffro na tristeza immerso,
Pallido goivo ao pé dos mausoleus,
Oxalá que o amôr te seja adverso!
*O terremoto*
Com fragor açoitando a vaga escura,
O temporal irado, espumacento
Cavalga um perfido corcel—o vento—
Que solta gargalhadas de bravura.
Treme a terra, e com horrida figura,
Como Athlante, sacóde o turvo argento;
Nos gonzos oscillando o pavimento,
Dançam torres no assomo da loucura.
Vae o fogo alastrando o aureo manto,
As ruinas trucidam fugitivos,
Que sangrentos se abraçam convulsivos!
—O que fazer?—inquire o rei em pranto,
O ministro lhe diz com nobre espanto:
—Sepultar mortos, e cuidar dos vivos.—
*Entre palmeiras*
Faiscam os jaezes dos Cavallos,
Vibra o som dos clarins pela athmosphera;
No dorso de elephantes reverbéra
A seda e prata em crebros intervallos.