Havia em muitos cemiterios, no seculo XII, além de uma cruz de pedra, uma columna ôca, ou pilar quadrado, no qual punham de noite uma lanterna em signal de veneração para o logar sagrado, e como indicação para que os transeuntes pudessem rezar pelo eterno descanço dos finados.

Os tumulos em vulto ficavam collocados nas cryptas, ou nos porticos ou em capellas das igrejas, separados das paredes ou mettidos dentro de arcadas no grosso da construcção; e estas arcadas eram ornadas com diversas molduras proprias do estylo ao qual pertencia a época do tumulo:[[42]] porém, no seculo XIV, acompanhadas dos dois lados por contrafortes e pinaculos. Emquanto ao feitio do cofre sepulchral, imitaram a fórma quadrangular da decadencia romana. Os que eram construidos em marmore estavam decorados por arcadas ou baixos-relevos. A campa era composta de uma grande lagea horisontal, ou duas inclinadas, formando um angulo agudo, e ornada de arabescos. No final do seculo XII, começaram de empregar a fórma das campas com lados inclinados.

Nos tres seculos seguintes, apresentavam a estatua do defunto deitada de costas sobre a tampa do sarcophago. Viam-se ás vezes o marido e a mulher ao lado um do outro, no mesmo tumulo.

No museu de archeologia do Carmo, em Lisboa, ha um singular exemplo da estatua de uma pessoa real deitada de ilharga, que podemos considerar raro, porque ha só outro exemplo no jazigo real de S. Diniz, em França.

Os reis e os fidalgos eram representados com os seus uniformes, os bispos e os abbades com as suas vestimentas sacerdotaes, com as mãos juntas, ou os braços cruzados no peito.[[43]]

Os tumulos mais modestos da idade media, são os rasos, collocados nas igrejas e nos claustros. Os mais antigos datam do seculo XII. N'essas campas acham-se gravados em traços concavos, a effigie e o corpo inteiro do finado, com inscripção em latim; o mais notavel exemplo d'este genero existe em um claustro de Alcobaça, tendo a campa assente entre a porta da casa do capitulo e a galeria do claustro.[[44]]

As pedras tumulares eram tambem ornadas de incrustações de cobre, e d'este género apparecera no anno de 1875 em Portugal metade de uma campa pertencente a um tumulo, o qual estava entaipado na parede da igreja de S. Domingos em Santarem: representava apenas as pernas de duas figuras de homem e outra de mulher, e uma pequena parte da inscripção já com falta de algumas letras.[[45]]

Nas igrejas da Belgica ha grande numero de campas d'este genero com embutidos de metal.

É de grande auxilio para a historia o estudo de taes tumulos, principalmente para se conhecer certos brazões e usos do vestuario na idade-media.

ARCHITECTURA CIVIL