Figura 155

A gravura fará comprehender melhor a disposiçao d'um d'estes castellos, em mouchão, com estacaria. A torre quadrada, ou torreão firmava-se n'um mouchão B: o fosso c c formava um circulo na base da eminencia e a separava do pateo C, ao centro do qual estava collocada. N'este pateo encontravam-se as construcções E E, que serviam de deposito de guerra, e cavallariças, ou habitações para o pessoal ao serviço do nobre proprietario do castello. As estacarias enterradas e muito unidas F F, formavam um cerrado solido defendido pelo fosso exterior G.

Pode comparar-se este torreão, e na eminencia que lhe servia de base, á imitação mais ou menos alterada do pretorio dos romanos.

Os castellos, cuja construcção interior era de pedra, offerecem mais interesse que os antecedentes, quando conservam ainda alguns lanços de muralha no meio dos recintos. Os torreões de cantaria tinham quasi todos typos uniformes. O mais commum apresentava torre quadrada separada das outras edificações da praça, na qual ninguem entraria senão pela porta alta da muralha, correspondendo ao nivel do primeiro andar, e para esse fim era mister servir-se da ponte-levadiça, ou escada movel.

Figura 156: Plano do castello de Grimbosq

Algumas vezes o torreão ligava-se ás fortificações que cercavam o recinto fazendo de certo modo corpo com elle: então servia de torre de observação, e era mais alta que as outras construcções; não ficava por isso sem communicação, como podiamos demonstrar na construcção dos torreões de Leiria, Beja e Thomar.

Todavia, no seculo XII, pelas modificações que se operaram tanto na architectura militar, como na religiosa, adoptaram para o torreão a fórma cylindrica ou polygonal, de preferencia á fórma quadrada; d'esta maneira é o torreão de Gisors. Em Portugal não existe nenhum com esta configuração.

Figura 157: Torreões do seculo XII: Beaugency