Quando estas eram postas em estado de defensa, então viam-se coroadas por essas galerias salientes feitas de madeira, de que a torre de Laval [fig. 162] apresenta um bello exemplo. Por meio d'estas sacadas de madeira chamada hurdicium, podia-se dominar o pé das fortificações, e lançar pedras e outros projectis sobre os sitiantes, pelos intervallos abertos dispostos entre as vigotas que sustentavam o parapeito em falso.
Esses remates de madeira podiam ser incendiados, e os engenheiros do século XIII procuraram o modo de substituir a pedra á madeira. Portanto, a grande torre de Coucy tinha caxorros formados de cantaria em que apoiava a galeria que seria naturalmente de madeira, ficando correspondente ás aberturas do ultimo andar; podiam citar-se outros exemplos de tentativas feitas para substituir a pedra á madeira. Foi sómente no seculo XIV que este melhoramento veio a ser geral.
O recinto d'Aigues-Mortes apresenta a fórma de um parallelogrammo rectangular; o maior numero das torres era semi-circular no exterior da muralha, e quadrada no interior, de maneira que apresentava pouca sacada sobre o baluarte interior e formava linha com elle, levantando-se a certa altura acima do parapeito. As portas principaes abriam-se entre as duas torres; o intervallo que existia entre estas ultimas era occupado pela sala onde se içavam as pontes levadiças; em cada ponte havia duas: uma para a porta exterior, e outra para a porta interior.
Figura 203: Uma das portas d'Aigues-Mortes
Tinham boas escadas, cujos degraus descançando nas abobadas com a volta de quarto de circulo, deixavam subir á trincheira de cada lado das grandes pontes.
Figura 204: Muralhas e torres d'Aigues-Mortes—Vista do interior da praça
As abobadas das torres eram guarnecidas de arcos encruzados. Algumas chaminés existem ainda nas salas que ficam por cima das pontes de entrada: o cano por onde saía o fumo tem a configuração octogona.
Sabe-se que estas bellas fortificações foram levantadas por Philippe o Ousado (1270-1285); pertencem pois ao fim do seculo XIII.