Em geral, os architectos romanos souberam tirar grande partido dos materiaes que fornecia o paiz em que se faziam as obras.
Não era raro vêr entrar em combinação os materiaes indigenas com os exoticos mais preciosos, taes como o porphyro, os marmores cipolino, os ophitos, etc., etc.
O uso de pintar as paredes era tão geral que as simples construcções em taipa e os tectos revestidos de barro tambem recebiam essa ornamentação. A pintura era applicada sobre delgado guarnecimento de cal.
Os methodos usados pelos romanos para a pintura das paredes são-nos imperfeitamente conhecidos. Comtudo, um d'elles consistia em applicar com a broxa cera colorida e derretida, estendendo-se ainda quente nas paredes.
Figura 37: Tubos verticaes (4 e 5) para circular o calor, mettidos nas paredes
A cêra não era empregada só, mas misturavam-n'a com azeite para a tornar mais liquida: todavia, a maior parte d'essas pinturas parece ter sido assente a frio, e a sua adherencia seria produzida, talvez, por uma especie de colla que lhe ajuntavam.
As paredes e os tectos eram tambem em algumas habitações revestidos de mosaicos de vidro preto, azul, branco, verde escuro, etc., decorações que se encontravam em muitas salas de banhos.
Plinio diz-nos que empregavam o vidro nos mosaicos das abobadas e das paredes, advertindo que este uso era recente, comparativamente com o dos mosaicos de pedra ou barro cozido. Achâmos na villa rustica romana, descoberta por nós em Leiria, duas casas com mosaicos d'este ultimo modo, e outra de argila cozida.
Telhas e telhados.—Os telhados das casas romanas eram formados de telhas chatas de grande dimensão, mais compridas que largas com um resalto sobre os dois lados: assim como havia telhas curvas similhantes ás dos telhados modernos.[[12]] As primeiras adaptavam-se umas ás outras pelas extremidades que não tinham resalto; as segundas ligavam-se entre si no sentido da inclinação do telhado, ficando em fiadas parallelas as telhas chatas e para cobrir as juntas e evitar a infiltração das aguas da chuva.