Os fragmentos das telhas com resalto tem resistido quatorze seculos á acção destruidora dos elementos, e das pancadas do arado; encontram-se espalhados e enterrados em grande quantidade em quasi todos os logares onde existiram construcções romanas.

Em fim, estes restos são o melhor indicio para o reconhecimento das regiões antigamente occupadas pelos romanos.

Pontes

As pontes, obra de tamanha utilidade, tornam-se mui notaveis pelas suas ousadas dimensões. Existem presentemente poucos vestigios d'ellas: o maior numero ficou destruido, pela força das correntes, ou reconstruido em diversas épocas e alterado na primitiva construcção. Podemos apenas citar poucas das compostas na época romana.

Nas pontes, como em outros monumentos gallo-romanos e luso-romanos, empregou-se o grande apparelho, e muitas vezes de alvenaria com argamassa (empleton) revestido de pequenas pedras symetricas (opus incertum).

Figura 38: A ponte de S. Chamas, e as suas duas portas monumentaes

Quando usavam os materiaes de grande dimensão, as pedras ficavam prezas umas ás outras com os cancros de ferro ou de bronze, e algumas vezes com malhetes de madeira de oliveira, previamente secca no forno.

Nas pontes construidas com pequeno apparelho a boa qualidade da argamassa dava-lhes tal solidez, que os pegões que sustentavam os arcos não soffreram depois nenhuma alteração.

Os pegões apresentavam algumas vezes, do lado da corrente, uma parte saliente triangular, para cortar assim a força da agua; e se o rio tinha demasiada extensão, acontecia então dividil-o em muitos braços, afim de construir a ponte em secções. D'este modo corrigia-se a rapidez dos rios pela divisão das aguas, e tornava-se menos difficil a construcção das pontes. Na idade media foram imitadas.