As urnas de vidro, muito mais raras que as de barro, eram reservadas para os finados de familias abastadas. Tem um tanto o feitio das urnas de barro, porém o mais é apresentarem a configuração de um grande frasco com gargallo redondo com uma ou duas azas, sendo o corpo ora cylindrico, ora quadrado.

As urnas mais notaveis são de cobre batido e lavrado, e tambem estas difficilmente se encontram.

Em Alcacer do Sal fez-se em 1874 o descobrimento de um necropole romano, no qual se acharam quatro urnas cinerarias com pinturas, imitando o genero etrusco, obra executada por artista grego. Eram de differentes tamanhos, tendo a maior 0,59 de altura, 0,34 de largura; esta rara descoberta feita em Portugal causou bastante admiração entre os archeologos estrangeiros.

Figura 73

O orificio das urnas era tapado, ou com um prato voltado, ou com um pedaço de tijolo, ou ardozia, e até com um bocado de lagea.

Encontram-se geralmente junto d'estas urnas, taças de differentes generos e pequenos vidros com gargallo estreito e sobre o comprido, especie de galheta com feitios variados; mas o maior numero é de barro encarnado, e suppõe-se terem servido para conservar o vinho, o leite, ou algum licor offertado aos manes do finado.

Figura 74

A maior parte das urnas, foram mettidas dentro da terra sem caixas de resguardo; porém muitas tiveram esses cofres para a conservação. Se a madeira que serviu para isso apodreceu a primitiva existencia parece provada pelos pregos que ligavam as taboas, que se encontram ás vezes em roda das urnas. É possivel que as urnas de vidro ou crystal, que pertenciam a defunctos de cathegoria, fossem mettidas nos cofres de madeira ou de pedra. Alguns d'estes ultimos, encontrados em varios cemiterios, eram compostos de duas peças e bastante espaçosas para conterem a urna cineraria, e os vasos accessorios de que já fallámos. Finalmente, construiam ás vezes, no proprio local, e no momento do enterro, o cofre ou resguardo que devia conservar a urna cineraria.