Do século XV nenhum documento conheço que nomeie a aldeia de Vila Fresca, enquanto que, para fazer conhecida a situação de uma propriedade, se cita a quinta da Condestablessa.

Depois, no século XVI, encontra-se escrita aquela designação sempre a modo de se aproximar da pronúncia francesa: Vila-FreieVila-FreixeVila-FrêcheVila-Freiche.

O teatino D. Manuel Caetano de Sousa, que se não nasceu nesta aldeia por ali perto foi creado, diz em fins do século XVII, que este Freche é do francês Fraiche. O equivalente português Fresca começa a aparecer já na segunda metade do século XVIII e só é geralmente admitido no século presente.

Vila, como é bem sabido, não designava, mesmo entre os portugueses, a povoação sede municipal, mas a quinta com casarias, e assim se dizia vila urbana ou vila rústica, conforme era habitação de senhor ou predominavam nela as oficinas agrárias[14].

A vila italiana, essa, vem até nossos dias, e modernamente vemos ir-se entre nós também recebendo a locução para designar uma casa de campo com jardim, horta, etc.

Aldeia, é bem sabido que não significava, como hoje, apenas a pequena povoação rural, mas era quase o monte alentejano, um agrupamento de construções para acomodação do pessoal dependente da quinta e compreendendo as oficinas. Era cavaleiro vilão, segundo os antigos forais, o homem que possuia uma aldeia, uma junta de bois, 40 ovelhas e um burro[15].

A aldeia de Vila Fresca era pois o agrupamento de habitações junto da quinta-Fresca, o lugar de residência dos caseiros, lavradores, foreiros, arrendadores e mais pessoal dependente daquela propriedade e participante dos seus privilégios e franquias.

A Vila-Fraiche, como hoje se escreve, ou a Vila-Frêche, no francês aportuguesado de então, seria a quinta com paços da infanta D.ᵃ Brites[16].

As designações francesas e as divisas nesta língua foram muito em uso nos séculos XIV e XV. Eduardo III de Inglaterra, avô da rainha D.ᵃ Filipa de Portugal, instituindo a ordem da Jarreteira, deu-lhe por legenda lionny soit qui mal y pense. Do mestre de Avis a letra da empreza foi: Il me plait pour bien. A do regente D. Pedro, Désir. A do infante D. Henrique, seu irmão: Talant de bien faire. A do infante D. Fernando: Le bien me plait. A do infante D. João, pai de D.ᵃ Brites: J’ai bien raison.