Os Costas, atuais senhores da quinta e palácio dos Albuquerques em Azeitão

Querem alguns que os Costas se encontrassem em Portugal anteriormente à formação deste reino, outros fazem-nos coevos de D. Afonso Henriques. Uns e outros dão-lhes por solar a quinta ou aldeia da Costa, em Estarreja, ou, como então se dizia, na comarca da Esgueira.

Com bons fundamentos alguns outros genealogistas não vão tão longe, e fazem dos Costas um ramo da casa de Lemos; dizem-nos oriundos da Galiza e vindos para Portugal no reinado de D. Fernando I.

Vou citar um genealogista, que, mais prudente, não antecede os tempos de D. Manuel, e segui-lo-ei textualmente.

«D. Álvaro da Costa, filho de Fernão Rodrigues de Lemos e de Isabel da Costa, foi um homem honrado em tempo de el-rei D. Manuel e de D. João III. Foi o primeiro provedor da misericórdia de Lisboa, criado e feitura de el-rei D. Manuel, que o fez seu camareiro-mor e armeiro-mor e lhe deu o dom e o fez veador de sua fazenda e da rainha D.ᵃ Leonor, sua mulher. Casou com D.ᵃ Brites de Paiva, filha de Gil Eanes de Magalhães, «o Cavalleiro», que era um cidadão honrado. E a este Gil Eanes de Magalhães lhe chamavam «o Cavalleiro», por ter sido cavaleiro do Tosão, que lhe deu o imperador Maximiliano, e está sepultado no capítulo de S. Francisco de Enxabregas e mais sua mulher Isabel de Paiva, de que houve a D. Gil Eanes da Costa, cujo apelido lhe vinha por Isabel da Costa, sua avó, que foi mulher de seu avô Fernão Rodrigues de Lemos. Teve mais a D. Duarte da Costa.

D. Gil Eanes da Costa, filho primeiro deste D. Álvaro da Costa, foi veador da fazenda de el-rei D. Sebastião, casou com D. Maria, filha de João de Toeiro, um homem honrado das ilhas dos Açores, de quem houve a D.ᵃ Catarina, que casou com Luís da Silva e, por morte dela, casou segunda vez com D.ᵃ Joana da Silva, filha de D. Filipe de Sousa, que foi veador de D. Sebastião, de quem houve a D. Álvaro da Costa.

D. Álvaro da Costa, «o Queimado», filho primeiro deste Gil Eanes da Costa, fê-lo seu pai clérigo e lhe houve muitos benefícios. Foi deão da Guarda e teve filhos bastardos de Maria Manuel, sua amiga: D. Duarte da Costa, que morreu sem casar, e D. António da Costa.

D. António da Costa, filho bastardo e segundo deste D. Álvaro da Costa, deão da Guarda, foi doutor em cânones e, depois da morte de seu irmão, herdou o morgado, que lhe fez seu pai, e casou com D.ᵃ Madalena de Mendonça, filha de Luís de Góis Perdigão, de quem houve a D. Luís da Costa[64].

Teremos de voltar atrás ao segundo filho de D. Álvaro da Costa para encontrarmos na descendência de D. Duarte da Costa a dama que foi mulher de D. Luís.