O espirito hoje perfeito foi imperfeito, evolute, e, resplandescente agora, tem ainda sêde de perfeição maior. Não ha grandes nem pequenos, se não de momento. O verme de hoje ha de ser colosso ámanhã. O gigante da atualidade foi anão nas trevas do passado.
Apontar Jaime de Magalhães Lima dentro da justiça perfeita, não é, pois, elogiar o individuo: é apelar para um belo manancial de ideias e sentimentos de amor e verdade.
Ha de um dia a literatura dar-lhe o lugar devido. Isso não nos preocupa. O Futuro dignifica sempre o Passado. O que nos póde doer é que muitas almas sequiosas desconheçam tão bela fonte de noções moraes e mentais e se privem, por ingratidão mesquinha do meio, do pão artistico e espiritual que uma obra tão superior, como a de Jaime de M. Lima, lhes póde ministrar com grandes frutos para a Democracia e para a Verdade.
Esse prejuizo causa horror.
Estão secas as fontes verdadeiramente cristalinas da nossa Arte. Em vês delas, superabundam chafarizes exóticos, canalisando e repuxando aguas duvidosas.
Quem desconhece o intoxicamento moral que elas semeiam?
Quem não compreende que a nossa jóven Republica precisa de as vedar em beneficio da boa saude da querida Patria Portuguesa?
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