JOSÉ AGOSTINHO
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CASA EDITORA DE ANTONIO FIGUEIRINHAS 1911 |
Deposito Geral: LIVRARIA PORTUENSE, de Lopes & C.ª Suc.or 119, Rua do Almada, 123 PORTO |
SUMARIO
Uma monstruosidade do Passado—A Meza Censória—Torquemada e Escobar—A critica com o constitucionalismo—Como a Meza Censoria persiste—A hypocrisia—Que critica a Republica recebe das mãos da Monarquia—O que ela é, em geral—Como ha de haver Arte livre?—Como ha de haver escritores e editores?—Os unicos trabalhadores livres—O faciosiamo na politica e nas letras—José Caldas e Joaquim Costa—Emilio Littré e Augusto Comte—Madame Comte e Clotilde de Vaux—Uma liberdade que a Republica tem de conquistar—O heroismo português—Trabalhadores independentes—Verdades sobre Garrett—Verdadeiros livres-pensadores—Camilo, Inacio Pizarro, Pedro de Lima, Jorge Artur, Hamilton, J. A. Vieira, S. Dias, A. da Costa, A. T. da Silva Leitão e Castro, P. da Cunha, J. de Lemos, A. da Conceição, Guilherme d'Azevedo—Os Magalhães Lima—O dr. Sebastião de Magalhães Lima—Jaime Lima e o seu refugio—A sua vida moral e mental—Ideias de Malebranche, Pascal, Moutesquieu, Guyau, Amiel e Fouillée—Constant Martha e Lucrecio e Epicuro—Jesus-Cristo e Tolstoi—A Terra—Impopularidade voluntaria—Heroismo perfeito—Filósofo na poesia, sociólogo no romance, pensador na crítica—Apostolos da Terra—Amostras de estilo—Via Redentora—Vozes do meu lar—Um belo excerto—Eduardo Schuré—Defeitos—Melchior de Vogüé—O que seria desejavel na obra de J. de M. Lima—O romancista—Superioridade notavel—Julio Dinis e Camilo—A unica lei duravel da estetica positivista—Uma animação de Lessing—Lessing e Winchelmann—A influencia de Platão e do pintor Oeser—J. de M. Lima e Balzac, Victor Hugo, Flaubert e Tolstoi—Eça de Queiroz e Julio Dinis—O romance Na paz do Senhor—Qualidades excelentes—Nem Pangloss nem Baudelaire—Tipos verdadeiros—Os romances No Reino da Saudade e Sonho de Perfeição—Verdadeiros modelos—O critico—Menor e servo S. Francisco d'Assis—Esquecimento das obras de Prudenzano e Pardo Bazan—Guerra Junqueiro—Leonardo Coimbra—Superioridade de J. M. de Lima—Alexandre Herculano e José Estevão—Nem Planche nem Sainte-Beuve—Balzac e Werdet—Alfredo de Vigny—José Estevão, Danton, Robespierre, Lamartine e Mirabeau—Fernandes Tomás e A. José d'Almeida—A conclusão dum belo livro—Serenidade nos processos criticos—Porque destacamos a figura de J. de Magalhães Lima.
Uma das monstruosidades do passado, e ainda com predominio no presente, é a escravidão da conciencia. Horror e vergonha da Humanidade, foi Meza Censoria, depois de ser cátedra e pulpito, fogueira e pôtro, fôrca e anátema.
Julgou sempre sem autoridade de juís, porque foi sempre verdugo. Nunca pôde ser lei pura, porque foi sempre suplicio e ignominia, patibulo.
Para cometer o seu crime com prestigio, com absolvição plena dos seus rancores, abrigou-se em todos os refugios sagrados e vestiu todas as túnicas luminosas: a túnica de Jesus-Cristo, a pretexta de Catão, o manto de Sócrates.
Tudo lhe serviu para armadura, escudo, auréola e máscara.
Entre nós, como em toda a Europa, esse monstro alapardou-se na rigidês da ortodoxia intolerante que apedrejou Fénelon, e mordeu o calcanhar branco de S. Francisco d'Assis. Deu a Torquemada o báculo do pescador Pedro e a Escobar o principado de S. Francisco Xavier.Ululou, queimou, deturpou, assolou, enxertando a alma negra de Atila na haste aromal do Evangelho, voz e guia da Humanidade em jornada.