Sob o ponto de vista artistico, e especialmente architectonico, a perspectiva geral da cidade é bizarra e variadissima. Da povoação colonial pouco resta e a nova capital foi edificada, até bem pouco tempo, ao capricho dos proprietarios e de architectos na maioria incompetentes.
N’estes ultimos vinte annos, todavia, verdadeiras obras de arte teem apparecido a engrandecer a cidade, tanto particulares como publicas, especialmente nas novas e centraes avenidas.
Buenos-Aires é não só metropole assombrosamente commercial, mas tambem centro importantissimo de gôso, de luxo e de prazer. Na estação invernosa, de Maio a Outubro, funccionam tres ou quatro companhias lyricas, com os melhores elementos de reputação universal, assim como numerosas emprezas e celebridades artisticas na zarzuella, na declamação e no genero variado. Os seus grandiosos theatros são o assombro e o encanto dos forasteiros, que tambem sentem a impressão do bello e do supremo gosto ao contemplarem defronte de esplendidas vitrinas, nos passeios e em ricas equipagens, formosas damas, elegantemente vestidas, e irradiando das suas gentilissimas pessôas, a graça que seduz o espirito e incendeia os corações.
Historia
O nome de Buenos-Aires tem duas versões, adoptadas ambas por historiadores da famosa capital argentina. Segundo uns, Sancho del Campo, official do adelantado, especie de vice-rei, D. Pedro de Mendoza, primeiro fundador da povoação, ao saltar em terra exclamára:—buenos-aires!—referindo-se aos ares agradaveis que circulavam na atmosphera. Outros escriptores sustentam que o nome provem do de Santa Maria de Buenos-Aires, muito da devoção dos mencionados expedicionarios. Effectivamente, o primeiro nome dado á localidade, foi o de cidade de Santa Maria.
D. Pedro de Mendoza partiu de Sevilha em 24 de Agosto de 1535, com quatorze navios e 220 homens de equipagem, entre officiaes e soldados. O almirante da armada era D. Diogo de Mendoza, irmão de D. Pedro.
A causa d’esta expedição foi a descoberta e exploração das minas de ouro e de prata, que o navegador Gaboto affirmára, em Hespanha, ter visto nas margens do Rio da Prata. Como o informador tambem se referisse á extraordinaria fertilidade e belleza das terras platinas, o espirito aventureiro d’aquellas épocas, acabou por decidir a organisação da frota, na qual o adelantado foi acompanhado por muitas pessôas gradas, umas que tinham de transportar-se ao Paraguay, e outras desejosas de riquezas e de aventuras.