Os inglezes retiraram-se para voltar, no anno seguinte, 1807, no mez de Junho, commandados, o exercito, pelo general Whiteloeke, e a esquadra pelo almirante Murray. O inimigo desembarcou em numero de 11:000 homens, das tres armas, principiando a assaltar a cidade em 2 de Julho.
Defendiam-n’a Liniers e 8:500 soldados regulares, conseguindo no dia 5, em uma batalha geral, derrotar completamente os inglezes, que, a 7, assignaram uma convenção, compromettendo-se a abandonar as cidades de Buenos-Aires e Montevideu e todas as regiões banhadas pelo Rio da Prata, assim como as proprias aguas platenses.
O governo da metropole galardoou a cidade com o titulo de Excellencia, e os seus vereadores com o de Senhoria. Em signal de regosijo, a Municipalidade, ou Cabido, libertou trinta escravos.
Em 25 de Maio de 1810, rebentou a revolução pela independencia, que é não só o principal acontecimento historico de Buenos-Aires como de toda a nacionalidade argentina.
Aos vivos desejos de autonomia politica e administrativa, manifestados pela população creoula e mestiça, principalmente, juntaram-se as noticias da invasão napoleonica da metropole e da independencia dos Estados Unidos da America do Norte. Além d’isso, o espirito bellico e auctoritario dos naturaes tinha sido animado pelas recentissimas luctas e victorias contra os inglezes.
Quando o vice-rei Cisneros, em 18 de Maio de 1810, publicou, em nome de Fernando VII, uma proclamação dando conta dos successos passados na peninsula iberica e exhortando a população a unir-se em volta da auctoridade e do throno, o povo de Buenos-Aires começou a agitar-se e foi para a praça da Victoria manifestar-se, em altos brados, pela reunião de um Congresso Geral, ou Cabido Pleno, no qual o povo tivesse directa representação e resolvêsse sobre a proclamação do vice-rei. Em face d’essa attitude dos habitantes, reuniu-se o Cabido ordinario, no dia 21 e resolveu, de accôrdo com os desejos do povo, convocar um congresso geral dos habitantes para o dia seguinte, ás 9 horas da manhã. Foram convocadas 450 pessôas gradas, que nada resolveram no mesmo dia, que foi passado em calorosas discussões, combinando-se voltar a reunir a 23, ás 3 horas da tarde. A pluralidade de votos decidiu que o vice-rei Cisneros deveria depositar o seu mandato nas mãos do Cabido, até que fôsse eleita uma junta governativa. O vice-rei acatou e cumpriu as resoluções do povo, mas no dia seguinte o proprio Cabido convidou-o a reassumir o governo, auxiliado por 4 das pessôas mais gradas da cidade, formando uma especie de Junta, presidida por Cisneros.
Finalmente, no dia seguinte, 25 de Maio, o povo da cidade, descontente com a solução da crise, sublevou-se de novo, e invadindo a praça Victoria, delegou uma deputação ao Cabido e á Junta, intimando-os a depôrem o mando nas seguintes mãos:
D. Cornelio Saavedra, commandante geral das armas, presidente, e vogaes Juan José Castelli, Manuel Belgrano, Miguel Azcuénaga, Manuel Alberti, Domingo Matheu, Juan Larrea, Juan José Paso e Mariano Moreno, os dois ultimos como secretarios.
Este triumpho popular e nacional deu em resultado o Congresso de Tucuman, reunido na cidade d’este nome, que em 9 de Julho de 1816 proclamou a independencia da Republica Argentina. No anno seguinte fôram as reuniões do Congresso Nacional transferidas para Buenos-Aires.
Em 24 de Setembro de 1812, o general Belgrano derrotou as tropas hespanholas do commando do general Pio Tristán, no campo de Carreras, suburbios de Tucuman.