Nos annos de 1817 e 1818, o mesmo general Belgrano e o seu collega San Martin, ganharam as batalhas de Chacabuco e de Maipú, que não só confirmaram e consolidaram a independencia nacional-argentina, como deram em resultado a proclamação da Republica do Chile.

Depois do da revolução de Maio, o facto historico mais importante da capital e da Republica, foi a dictadura tyrannica de Juan Manuel Rozas, a quem o Congresso Nacional concedêra o poder supremo. Em 1851, o general Urquiza, governador da provincia de Entre Rios, collocou-se á frente dos patriotas, que propunham-se derrubar o tyranno, e auxiliado por brasileiros e orientaes, deu a Rozas, em 3 de Fevereiro de 1852, a batalha de Caseros, derrotando-o com 24:000 homens contra 30:000, e obrigando-o a fugir para a Europa. Rozas governára por espaço de vinte annos.

Com a quéda da tyrannia foi promulgada nova constituição e Buenos-Aires entrou em phase de decidido desenvolvimento material.

Ao cair Rozas, em 1852, contava a cidade 76:000 habitantes, em 1864, 140:000, 404:000 em 1867, 800:000 em 1900 e 1:150:000 em 1908.

N’estes ultimos cincoenta annos, de muitos acontecimentos historicos teem sido theatro as ruas de Buenos-Aires, e ainda não ha muito tempo que ellas foram regadas com o sangue de irmãos, em feroz disputa do supremo poder. E por isso que ainda vivem muitos dos protagonistas d’esses infaustos successos, é de justiça lançar, sobre homens e factos, o véo do esquecimento e deixar á geração vindoura a tarefa de, serenamente, apreciar uns e outros e preparar o julgamento severo e perenne da Historia.

O primeiro escudo de armas da cidade de Buenos-Aires, foi fixado em reunião do Cabido, presidido por D. Juan de Garay, quatro mezes depois da fundação da cidade, em 20 de Outubro de 1580. A dita assembleia, depois de eleger patrono da cidade a San Martin de Tours deliberou que as armas e brazões de Buenos-Aires seriam formados por un águila preta pintada al natural, con su corona en la cabeza, con cuatro hijos debajo demostrando que los cria, con una cruz colorada sangrienta que salga de la mano derecha y suba más alta que la corona, que semeje la cruz á la de Calatrava y la qual esté sobre campo blanco.

A aguia e seus filhos representavam as fundações effectuadas em nome dos adelantados Juan Ortiz de Zárate y Torres de Vera y Aragon, que ostentavam nos seus respectivos escudos uma aguia corôada. Quanto á cruz de Calatrava e á corôa, explica o auto de Garay:

La razón es haber venido á este puerto con fin y propósito firme de ensalzar la Santa Fé Catholica y servir á la corona real de Castilla y de Leon.