A escadaria é magnifica, realçando-lhe a belleza as tribunas douradas que circulam o 3.º pavimento.
No andar nobre ha, especialmente a notar, pela decoração a frescos, estuques e dourados, a sala Azul, para recepções de embaixadores; a sala Amarella, ou de Musica; a sala da Capella, que serve de recepção á esposa do Presidente da Republica; a sala Pompeiana, com finissimas decorações e a celebre Jarra Beethoven, obra prima de Raphael Bordallo Pinheiro; o salão dos Banquetes; a sala Mourisca, decorada a marmore preto, e o Salão Official das Recepções, esplendidamente decorado.
Todas estas salas e salões ostentam soberbos lustres e precioso mobiliario. Na sala Silva Jardim, nota-se o quadro de Aurelio de Figueiredo—Juramento de Deodoro—com todos os principaes personagens do 15 de Novembro. Na secretaria vê-se A Descoberta do Brasil, outro quadro de Aurelio de Figueiredo, e A Selva, quadro de Antonio Parreiras.
Um ascensor communica os pavimentos. O parque, esculpturalmente decorado, é atravessado por dupla fila de lindas e gigantescas palmeiras.
Aqueducto da Carioca—É a principal e monumental curiosidade que o Rio de Janeiro possúe dos tempos coloniaes. A sua extensão principal é de nove mil metros, desde a Mãe d’Agua, na serra de Santa Thereza, até ao largo da Carioca. A sua parte monumental, porém, é composta de 42 arcos de alvenaria, da altura de 17,ᵐ6, desde a caixa d’agua da Carioca, onde hoje está a estação da Companhia Ferro Carril Carioca, até ao morro de Santa Thereza. Este é o actual viaducto da linha, que se prolonga até ao Silvestre. Foi este aqueducto mandado construir pelo Conde de Bobadella, 59.º Governador do Rio de Janeiro, em 1744.
Durante o trajecto através d’esta colossal arcaria, gosa-se admiraveis vistas parciaes da cidade, da bahia, e de alguns arrabaldes.
Palacio Itamaraty—Está situado na antiga rua Larga de S. Joaquim. Foi o primitivo palacio do Governo, em seguida á proclamação da Republica. Hoje é o Ministerio das Relações Exteriores e serve tambem de residencia ao respectivo ministro, o Barão do Rio Branco.
No 1.º andar, ou nobre, nota-se a sala do Tribunal Arbitral, com mobilia dourada e estofos côr de rosa. Sala de recepção para o director geral do Ministerio, com os bustos, em bronze, do Visconde de Cabo Frio e de Quintino Bocayuva. Salão Amarello, para recepção de diplomatas. Admira-se aqui um quadro de Pedro Americo, intitulado—Paz—. Bustos, em bronze, de José Bonifacio, José Antonio Saraiva, Barão de Cotegipe, Marquez do Paraná, Visconde do Uruguay, Marquez d’Abrantes, Pimenta Bueno, Visconde do Rio Branco e Visconde de Cachoeira. Gabinete particular de recepção de diplomatas. Vê-se aqui o Grito do Ipyranga, por Pedro Americo, esboço do quadro que está em S. Paulo. Retrato de metal, em relêvo, do Barão do Rio Branco, offerecido pelo povo de S. Paulo.
Outros objectos, em prata e prata dourada, entre elles um do Jornal do Commercio, offerecidos ao actual ministro das Relações Exteriores, por occasião da sentença do tribunal arbitral suisso, na questão das Missões.