O edificio, com tres pavimentos, occupa na praça Marechal Deodoro, uma area de 12:000 metros.
No 1.º pavimento estão as salas da Administração, o almoxarifado, a despensa, as officinas, o lavabo e as banheiras; no 2.º andar, a bibliotheca, a residencia do Director e das regentes, as aulas, os refeitorios e a cosinha; no terceiro pavimento, o salão de honra, os dormitorios, as enfermarias e a rouparia. Em fins de 1907 havia 92 asylados, sendo 67 do sexo feminino. A condição de admissão é a extrema pobreza, dos 7 aos 18 annos. Ensina-se costura, bordado, fabríco de flôres, lavagem, engommado, arte culinaria, além do curso primario, completo.
Dispensario Azevedo Lima—Esta altruistica instituição foi, em principio, denominada—Dispensario da Liga Brasileira contra a Tuberculose—por ser creado por esta collectividade, mas o Presidente da Republica, dr. Affonso Pena, ao inaugural-o, em 25 de Maio de 1907, escreveu no auto de inauguração—Dispensario Azevedo Lima—em homenagem ao seu fundador e Presidente da Liga, o eminente e benemerito facultativo, dr. José Jeronymo de Azevedo Lima.
O governo cedeu o terreno, junto da Avenida Central, e a Liga levantou o predio, que custou 120 contos de réis. Fica isolado, por tres das suas faces, dos predios visinhos, e ergue-se entre jardins. O Estado subsidia o Dispensario com a annuidade de 24 contos. Os clinicos são beneficentes e effectivos.
No vestibulo ha duas salas de espera; um gabinete de exame, com balança de pesagem e apparelhos para desinfecção; uma sala para exame especial de laringe, com o material competente; um laboratorio bacteriologico e uma dependencia com estufa para encineração de residuos. Primeiro pavimento. Gabinete da Directoria. Sala das sessões, com o busto da Caridade, em bronze, por Teixeira Lopes. Bibliotheca da especialidade. Esta secção continua no 2.º andar, onde tambem ha um terraço com a admiravel perspectiva da Avenida Central e de parte da cidade e da bahia.
A Liga resolveu fundar novos sanatorios em varios bairros da capital e no interior do paiz, assim como um sanatorio para creanças tuberculosas, com o nome da rainha D. Amelia, de Portugal. A commissão da colonia portugueza que promovia grandiosos festejos para a recepção de D. Carlos I, resolveu entregar á Liga, para o fim acima exposto, as sommas arrecadadas. Para avaliar-se da necessidade d’esta philantropica instituição, bastará considerar-se que, em 1906, morreram, na cidade do Rio de Janeiro, 2:782 tuberculosos, em um total de 13:957 defuncções. Antes do actual a Liga já possuira um Dispensario na rua Gonçalves Dias, em 1902. Em 1906 a Liga deu 621 consultas, fez 77 visitas domiciliarias, aviou 883 receitas, fez 160 exames microscopicos e 87 laryngoscopicos. Além d’isso distribuiu 131 porções de oleo de figado de bacalhau, 2:150 de carne, 2:150 de leite e 353 escarradores.
Hospital da Real Sociedade Portugueza de Beneficencia—A ideia da fundação, no Rio de janeiro, de uma Sociedade Portugueza de Beneficencia, pertence ao então ministro de Portugal, no Brasil, Joaquim Cesar Figaniére Mourão, que, em 1839, a suggeriu ao consul, dr. José Marcellino da Rocha Cabral. Tomou a iniciativa da fundação a Directoria do Gabinete Portuguez de Leitura, que organisou os estatutos. Quanto ao hospital, foi seu iniciador o socio João Nunes de Andrade, que apresentou a proposta em sessão de 20 de Fevereiro de 1848. Começou-se pela fundação, em 1849, de uma enfermaria denominada de S. Vicente de Paulo, para os portuguezes atacados de febre amarella.
A compra do terreno para edificação do actual hospital, fez-se em 1851 e importou em 9:280$000 réis, na rua de Santo Amaro e nas dimensões de 26 braças e 4 palmos.