Muito concorreu para a fundação d’este estabelecimento, o presidente da Sociedade, Hermenegildo Antonio Pinto. Em 19 de Dezembro de 1853, foi lançada a 1.ª pedra do edificio, e a inauguração realisou-se em 16 de Setembro de 1858. Á entrada ha duplo lance de escadaria de granito, dividido por tres grupos estatuarios, representando a Caridade, depois de transposto o triplice portão de ferro, encimado pelas estatuas de D. Affonso Henriques e de Pedro Alvares Cabral.

O vestibulo é decorado pelos bustos, em marmore, de D. Carlos I, e dos condes de Agrolongo, de Mattosinhos, de Avellar e de S. Mamede. Gabinete da administração, com os retratos de D. Pedro V, de D. Estephania e do conde de Santa Marinha. Seguem-se, no mesmo pavimento vestibular, a secretaria, a rouparia, o gabinete das consultas externas, 2 dos curativos e a sala de operações. Na ala fronteira, uma enfermaria cirurgica, 3 mistas de medicina e cirurgia, refeitorios, installação hydrotherapica e cosinha geral. A pharmacia e o laboratorio funccionam em pavilhão separado. Pavilhão de isolamento de molestias contagiosas. Enfermaria de tuberculosos. Necroterio, na cêrca, em pavilhão isolado. Novissimo pavilhão com 2 salas de operações. Quartos particulares para contribuintes. Vestibulo da 2.ª ala geral do edificio, decorado por um grupo, em marmore, representando a Caridade, e pelos bustos de D. Pedro V, do conde de S. Cosme do Valle, de Julio Alberto da Costa, por Teixeira Lopes, e de Alexandre Herculano, este em ferro prateado e aquelles de marmore branco. Sala da Bibliotheca, com 3:000 volumes. Primeiro pavimento. Sala das sessões, guarnecida a retratos de bemfeitores do hospital. Retratos a oleo de D. Pedro V, D. Luiz I e D. Maria Pia. Quartos particulares e de internos (doutorandos). Consultorio homópathico e pharmacia. Enfermaria S. José (homópatha) composta de quartos a 2 camas. Enfermaria de Santa Luzia, (ophtalmologica). Sala de operações, quartos e camara escura. Enfermaria de invalidos. Passagem sobre terraço e ao ar livre, para o 1.º pavimento da 1.ª ala. Enfermaria de S. Joaquim, para medicina, composta de quartos a 2 leitos; e de S. Jeronymo, para medicina. Mais quartos para contribuintes. Linda e vasta capella, decorada por Bernardelli.

Hospital da Penitencia—É o mais importante dos hospitaes particulares do Rio de Janeiro. Pertence á Veneravel Ordem Terceira da Penitencia, a mais rica da capital da Republica. Occupava, outr’ora, um vastissimo edificio do largo da Carioca, que foi demolido para embellezamento da cidade, e o hospital provisoriamente removido para dois grandes predios da rua do Conde de Baependy, até que fique concluido o grandioso edificio que, nas proximidades, está a construir a mencionada Ordem, a mais antiga do Rio de Janeiro. Sustenta uma escóla para menores, no bairro da Saúde, e soccorre os irmãos nos domicilios.

Hospital do Carmo—Pertence á Ordem de N. S. do Monte do Carmo, que tambem soccorre com dinheiro, pensões e visitas domiciliarias, os seus irmãos enfermos e invalidos.

Hospital de S. Francisco de Paula—É mantido pela Irmandade de S. Francisco de Paula, em vasto predio, na rua Duque de Saxe. Tem sala para consultas externas, cemiterio, em Catumby, e um asylo para meninas orfãs.

Recolhimento de N. S. da Piedade—Mantido pela Irmandade da Candelaria, e fundado em substituição do Recolhimento de Santa Ritta de Cassia, mandado fechar pela municipalidade, que o subvencionava, em consequencia de uma campanha sustentada n’O Paiz, por Francisco Ferreira da Rosa, um dos seus redactores, que descobrira, em minuciosa visita, ser este estabelecimento um antro de immoralidade.

Asylos da Caridade, do Bom Pastor e de Santo Antonio—Estes tres estabelecimentos philantropicos são mantidos pela Ordem da Immaculada Conceição. O 2.º é para regeneração de mulheres transviadas e o ultimo abriga umas 60 orfãs, e está situado no delicioso arrabalde do Rio Comprido.

Policlinica Geral do Rio de Janeiro—Funcciona officialmente, esta prestante collectividade, desde 17 de Junho de 1882. Foi fundada por medicos e empregou o seu patrimonio, de trezentos contos de réis, na construcção de um edificio para sua séde, na Avenida Central. É destinada a prestar soccorros medicos a enfermos pobres e possúe laboratorios para varias especialidades clinicas.

Maternidade das Larangeiras—Funcciona, desde 3 de Março de 1904, em um predio do bairro das Larangeiras, e em 31 de Dezembro de 1907, tinha em tratamento 19 parturientes. É subsidiada pelo governo.