—Ai, a Lucia, quero ir então; e se houver enchente!... o melhor era o papá ir já comprar o camarote...

—Pois sim, eu vou,—e saboreava de vagar a ultima sobremeza, muito guloso, o créme esfiando-se pelos bordos da pequena colher.

—A Joaquina fez hoje isto bem—elogiou.

—O que succede raras vezes—acudiu o Alberto.

—Não, vamos lá, não estamos mal servidos.

—Réles, simplesmente; o ram-ram sabido, nem um prato novo; não ha como a cosinha franceza!{134}

—Eu cá por mim detesto-a,—obtemperou o Jorge—uns nomes pomposos, uma homard à la russe, uma timbale d'ecrevisses, um foie aux champignons, etc., etc., tudo uns bonitinhos e a final a barriga vasia.—

Alberto encolheu os hombros, um ar de superioridade, achando pulha aquella critica da cosinha franceza, feita pelo sogro.

Veio o café. Ermelinda bebia aos pequeninos sorvos, o corpo recostado na cadeira, a manga do penteador descia mostrando uma redondeza pennugenta de braço.

—Levantaram-se.