—Ia comprar o camarote; elle não voltaria, lá os esperava no átrio, ás oito e meia, não fossem tarde.—

—Para o anno havemos de ter assignatura, sim, Alberto?

—Certamente; não se póde viver no hig-life sem isso; é mesmo indispensavel, chamar-nos-iam pelintras, uns sovinas.—

—Oh, havemos de ter, fica já combinado...

E passou-lhe o braço no hombro, amorosamente, um agradecimento áquella acquiescencia de bom tom, esquecendo as desharmonias que se tinham manifestado, os seus aborrecimentos, a comprehensão do ideal que o separava d'elle.

Entraram no quarto, estendeu-se languidamente na poltrona, a circulação quente do jantar, a imaginação antegosando o prazer da noite de theatro, as plateias curiosas assestando os binoculos para os camarotes, os penteados, as toilettes do hig-life e tudo aquillo n'um ambiente callido,{135} de luzes scintillantes, a musica e o canto espreguiçando-se na atmosphera quente.

—Então, menina, não tratas de te pentear, vão sendo horas...

—Já!... ainda tão cedo!... estou com uma preguiça... Vou mandar chamar a penteadeira.—Se eu soubesse, antes iamos ámanhã...

—Ora... que creancice...

Fazia esforços para se levantar, o corpo quebrado, n'uma mollesa flacida, a nudez dos braços retesando-se sobre a cadeira.