—Logo eu então, sempre tive um par!
—Ai! menina, nem me falles, o meu, esse parecia de chumbo!.. e sempre a parar, crédo!...
Lamentavam-se muito da sorte, que as destinara a enlaçar os seus braços nos d'um par sem{18} elegancia e pessimo walsista—mas para outra vez, já os conheciam—affirmavam.
—Depois, sem animação, mesmo uns tumbas, não sei que gente escolhe este Mendes.
Proximo d'Ermelinda o Alberto tinha já grandes intimidades, que se estavam tornando a pedra d'escandalo das meninas, que não possuiam essa mesma pedra. A filha do director acolhia por detraz do seu leque as phrases incendiarias do seu par, e sorria ao sentir em volta dos ouvidos a musica monotonamente harmoniosa da borboleta vadia da paixão. No seu intimo duas sensações subjectivas confluiam a dar-lhe um goso inestimavel de felicidade—esmagar a vaidade das outras e elevar a propria, sentindo-se preferida.
E emquanto o Alberto cinzelava n'uma linguagem fluente as phrases da sua declaração, ella muito feliz por ter arranjado namoro, pensava já na inveja que as outras lhe teriam quando elle passasse debaixo da sua janella, nas cartas que lhe escreveria, no portador d'ellas, se seria de tarde ou á noute que elle viria, como illudiria a vigilancia do papá, e em mil outras futilidades, que fluctuavam indecisas na sua imaginação, como o pollen das flôres no céo azul de maio.
As Bastos e a Adelaide Mendes murmuravam:
—Parece que o namoro sempre péga!
—Aquillo é pau para toda a obra.
—Só queria saber quantos namoros ella já terá tido.