—Sabem vocês onde mora a mulher do commendador Bernardo?
—De qual? perguntaram logo muitas vozes.
—D'aquelle... d'oculos, que está sempre á porta do Guimarães.
—Ah! logo se via... só assim!... ou então calotes em cada esquina.
Entraram logo em minuciosidades da sua vida; as informações foram apparecendo; disia-se que tinha dividas no alfaiate, no sapateiro e até no Central, onde já nem de jantar lhe queriam dar.
Mas a presença de Alberto veio pôr termo a estas murmurações; a conversação mudou de rumo, até que o piano preludiou uma walsa.
—Era irresistivel, não podia perder-se—e tomaram a direcção da sala, onde as meninas os esperavam, com os bellos olhos humidos dos ardores choreographicos, anehelando os braços d'elles, a que sonhavam encostar-se, como sylphides vaporosas, arrastadas na vertigem.
Incontestavelmente as honras da walsa pertenceram a Alberto e a Ermelinda.
—Se não fosse o par que ella tinha, veriamos—protestavam muitas, n'um tom mordente d'inveja, que as irritava como picadas d'alfinetes.
—Boa, pois olha, das outras vezes!