—Pois não, era até um obsequio—e agradeceu-lhe com um sorriso a sua amabilidade.
Na sala tinha uns modos finamente elegantes de offerecer um calice de vinho, que não havia recusar-lhe.
—Este Alberto, diziam as senhoras, sempre tem uma apresentação tão distincta!...
Junto d'Ermelinda deteve-se alguns minutos mais.
—Ah! ella não queria beber; e vinho perturbava-a um pouco, mas visto que elle insistia, ia fazer-lhe a vontade—e levou o calice aos seus vermelhos labios, que apenas se embeberam no liquido doirado pousando-o logo.
No quarto do Juca os rapazes, tomando posições commodas, estirados uns sobre o sophá, cavalgados outros sobre as cadeiras, discutiam n'uma nuvem de fumo e de grosserias os bons bocados, que estavam na sala e faziam commentarios, indecentemente libidinosos, que provocavam cheias gargalhadas.
Nos seus olhos faiscava um pouco a scintillação do Porto e do Madeira. Depois a conversação recahiu sobre o Alberto, o heroe da noite; os menos favorecidos plastica e estheticamente proromperam logo com muito azedume:
—Afinal quem era elle, de que vivia, de que se sustentava?
—Ninguem o sabia—era um vadio, não havia que duvidar.
Mas o Jeronymo, com um sorriso significativo{17} de finura, aprumando-se para os outros, como quem tinha o segredo do enigma: