—Elle porém não estava para a aturar,—até ali contemporisara; mas era de mais!... enfadavam-o já aquellas momices!... E depois a nostalgia da reclusão, do banco para casa, de casa para o banco e isto por causa d'ella, para a{166} não perturbar no seu estado grave! Mas isso acabara—
e repulsava-a com desabrimento, a sobrancelha sempre enrugada, um tédio por aquelle regimen de prisão cellular, um aborrecimento de ser cazado, a imaginação dourando-lhe os quadros da sua vida livre e licenciosa de rapaz.
Ermelinda pesava-lhe como um despotismo absoluto, um obstaculo invencivel ás suas aspirações de liberdade, á sua independencia pessoal; e d'ahi as revoltas repetidas contra aquelle jugo, questiunculas que os separavam, uma acrimonia em todos os actos que exigiam convergencia de reciprocidades.
Supportavam-se apenas; disputas incessantes se levantavam e aquella paz octaviana que durara pelo espaço do período grave d'Ermelinda, rompia-se agora a cada momento, em discordias muito tempo soffreadas, com uma effervescencia azeda, que depositava uma bilis odiosa no coração de cada um—
—mas era um viver infernal—dizia ella a cada momento,—
—É ir tendo paciencia, filha, nem tudo são rosas na vida de cazados—aconselhava o Jorge.
Porém aquelles queixumes d'Ermelinda amarguravam-o, ralavam-o d'uma mortificação cruciante; sentia-se cada vez mais adoentado, os embaraços pecuniarios cercavam-o, o vigor physico fallecia, e ainda por cima a filha, o seu idolo de fetiche, soffria d'um soffrimento irremediavel—
Lembrou-lhe o divorcio, chegou mesmo a fallar-lhe n'isso{167}
—mas era um escandalo, uma vergonha, fosse vendo se o levava por bons modos.—
Ermelinda tentou reconciliar-se; chegou mesmo a dar-se uns ares de martyr resignada, mas o Alberto