—fizera-se porca de mais a mais—e a creança andava mal limpa, a ama só tratava de comer bem e de dormir, deixando-a n'uma immundicie revoltante, os olhos remelados, o babeirito sujo.

—Era impossivel! não estava para se encommodar,—a mãe que olhasse por ella, se quizesse—

E comia, n'um mutismo obstinado, uma ou outra palavra rapidamente proferida, levantava-se ao dessert sahia logo, ia tomar o seu café no Suisso.—

—Vê, papai, é isto e eu que o ature! não... tambem já é de mais... agora só lá para as duas da noite.

e vinha para o quarto lastimar-se, arremeçava-se sobre o leito, a cabeça occulta no travesseiro, lagrimas a desfiarem n'uma torrente impetuosa,{169} levantando-se com os olhos injectados, muito abatida e quebrada.

O Jorge, o cotovello sobre a meza, com um ar de compassividade, via-a sahir abruptamente.

—Quem o havia de dizer, Joaquina.

—Eu sempre o prophetisei; aquella cara nunca me enganou; e sabe que mais? o remedio é cada um para seu lado; olha agora o pandilha! a menina assim cae ahi doente e depois o verás...

—Mas que vergonha, que vergonha!

Todas estas sensações desagradaveis se infiltravam no seu espirito, desmoronando-lhe a firmeza e claridade, como as aguas salitrosas que arruinam um bello edificio. Fallava pouco, um esquecimento de si mesmo em meditações prolongadas, a fixação d'uma ideia a absorver-lhe toda a actividade do pensamento. Os seus padecimentos aggravaram-se, tomava muitos remedios depauperando-se com dietas obrigadas; apparecia um achaque pelo mais ligeiro motivo, a cabeça que tinha dores nevralgicas, o estomago que depunha os alimentos quando a Joaquina apresentava um prato novo, o figado que se opilava á mais leve indisposição.