—que lhe trouxessem a Rosina, porque não estava ali á beira do avô.—

Abraçava a pequena, beijando-a com soffreguidão,{176} os olhos avivando-se d'um brilho excitado,—

O commendador recommendava-lhe prudencia—

—que aquelles abalos lhe faziam até mal—e pedia a Ermelinda, que retirasse a creança, que era necessario presença d'espirito.

—e não chorasse, havia sempre esperança, emquanto havia vida.—

Ermelinda agradecia no seu intimo aquellas consolações, onde a sua fina perspicacia de mulher percebia um tremulo de amor e sinceridade!—Oh, quanto não seria mais feliz em ter desposado aquelle homem, que agora a ampararia, que a respeitaria sempre como um escravo, que teria por ella todas as attenções delicadas d'uma alma leal;—mas era irremediavel, estava unida ao outro!...

Ao outro, que differença no confronto!... Sempre fôra bem creança em se apaixonar pelo que suppunha ser o romance da vida!... Oh, como estava arrependida.—

Vinham-lhe estas considerações, velando á cabeceira do leito, emquanto o Jorge, n'uma intermittencia calma, entregue a uma somnolencia de prostração, dormitava brandamente, o vigor alquebrando-se n'aquella madornice comatosa, como um fio de azeite que se escoa lentamente por um orificio aberto no fundo d'um vaso, e o Commendador e o Alberto, conversando baixo com o doutor, na saleta proxima, rumorejavam agouros funerarios.

O doente teve um momento de allivio; a respiração tornou-se-lhe calma, o rosto socegado deixou{177} de se contorcer em contrações paroxisticas, a palavra, posto que branda, sahia com uma fluencia doce.

—Melhorzinho, ein—disse o commendador consolando-o.—