—Meu rico patrãosinho, ai, meu querido sr. Jorge, que nunca mais o torno a ver,—tão meu amiguinho era!—

E na dilatação expansiva da sua dor, a pobre mulher recordava inconveniente as scenas recolhidas do seu passado com elle, e a alma quebrada n'uma saudade dolorosa:

—Nunca mais, nunca mais, tudo acabou ali.—

O Alberto percebeu a violencia d'esta saudade; as palavras da Joaquina revelavam-lhe o que elle apenas desconfiara e com um cynismo revoltante:

—Vá lá para cima, Joaquina, era melhor que se lamentasse mais a sós; não lhe faltará quem o substitua.—

E com um desprezo para aquelle morto que sahia e por aquella mulher que ficava:—

—Que bonita sogra me não dava o sr. director!—realmente, oh moralidade dos bons paes de familia!

Accendeu um charuto; foi recostar-se n'uma poltrona da sala de visitas, onde alguns homens estavam para lhe fazer companhia.

Fóra ouvia-se o rodar abafado do carro funebre, e uma claridade luminosa, proveniente das tochas dos que o acompanhavam, penetrou atravez das janellas meio cerradas, derramando uns tons amarellados por sobre a sala.

Sugeitos batiam na escada entregando cartões de visita e o Alberto, com uma vaidade orgulhosa das suas relações, ia mostral-os a Ermelinda, um pouco com o fim de humilhar de inveja as suas amigas.—{183}