—que o não estragasse elle lá por fóra,—para que tinha despedido a Joaquina, uma criada em quem se podia confiar!... só se queria que fosse ella varrer e cosinhar, não lhe faltava mais nada.—
Uma saraivada de insultos se trocava entre os dous; o Alberto sahia de casa para só voltar altas horas da noite, ella estancava-se em chorar, desgostosa por não ter um coração amigo, onde podesse entornar aquellas lagrimas que escaldavam o seu.
Foi n'uma situação d'estas que a D. Clementina a veio encontrar, n'uma visita á tarde,
—tinha ido ao Palacio, mas estava tanto vento, lembrara-se de vir passar com ella um bocadinho.
—agradecia-lh'o, estava tão só ultimamente.—
—e teu marido, menina, e teu marido?
Encolheu os hombros, as lagrimas a pullularem irrequietas por entre as palpebras.{188}
A possuidora do Tótó farejava um escandalo, um segredo de familia, um drama intimo de que ella ia ser a unica espectadora talvez.
—E até estás mais magra, menina, crédo! parece que não vives muito feliz.—
—As felicidades, D. Clementina, são boas para quem as merece a Deus.—