Foi preciso que a creada, juntamente com ella, o viessem auxiliar ao subir da escada. Mas elle protestava—
—que não estava bebedo, apenas um poucochinho entrado—e pedia um beijo á criada, uma trigueira que parecia descender directamente do chimpanzé, de feições largas, rindo maliciosamente d'aquelle pittoresco Noemico.
E já no quarto, a palavra balbuciante, pedia a Ermelinda:
—que se lhe sentasse nos joelhos, haviam de fazer uma pirraça ao commendador, os dois estariam abraçados quando elle chegasse. Uma grande risada, estendia os braços tremulamente para a alcançar, fallando-lhe com uma alegria inconsciente.{199}
—Sempre o mesmo demonio, esta gatinha parda, que viesse!... então... e a nossa filhinha, coitadinha da pequerrucha... que morreu—
e desatou a chorar, a embriaguez cahindo rapidamente n'um periodo comatoso, a palavra rareando, as phrases tartamudeadas.
Ermelinda sentiu uma pallidez branca invadir-lhe a face; revoltava-se de nojo perante aquelle homem, que via ébrio, patenteando na sua inconsciencia a alma lodacenta, que ella porfiava em regenerar, em attrahir para si.
—Oh, não, não era possivel, tudo estava acabado para ella.—
Mas ao mesmo tempo que se revoltava, sentia uma grande commiseração por aquelle desgraçado, uma vontade de se sacrificar para poder salval-o, um desejo sincero de perdoar, amando-o muito.
—Quem sabe, ás vezes qualquer cousa lhe podia fazer mal. Esgotemos o calix até ás fézes, tratemol-o bem, tem-se visto tantos exemplos...—