Estas scenas continuavam; viviam mal, o Alberto, perdido uma vez o respeito por ella, usava d'uma violencia brutal pela mais leve questiuncula. Não queria que lhe exprobrassem o seu procedimento, e Ermelinda tinha muitas vezes de fechar-se no quarto com a filha para escapar á irritação da sua colera, do seu mau vinho. Um dia porém levou o insulto mais longe; foi o cumulo dos opprobrios para ella; trouxe-lhe a Annita, offereceu-lhe de jantar, fez com que Ermelinda a servisse, obrigando-a pela ameaça da força.
—Oh, era de mais, era de mais tambem—dizia amargurando-se, imbelle para romper com elle, para fazer valer os seus direitos, para se fazer ao menos respeitar dignamente.
—que lhe batésse, perdoava-lh'o já, mas apresentar-lhe aquella mulher em casa, obrigal-a a ser sua escrava, ver sobre o pescoço d'ella uma joia que fôra de sua mãe,—não, não podia resistir—
mas quebrava nas lagrimas a sua reacção corajosa, não sabia mesmo o que havia de fazer,{202} causava-lhe medo o ver-se depois isolada, sem forças para luctar, sentindo-se fraca e impotente diante do mundo que ainda talvez a condemnasse.—
Emmagrecia rapidamente, a sua formosura emmurchecida pelos dissabores e soffrimentos physicos, umas olheiras roxas occupando metade da face.
—Sahiria, iria tomar conselho com alguem, queria desabafar, não podia mais!—
E procurou a D. Clementina; encontrou-a a brincar com o Tótó, muito folgada na sua vida de solteirona, as carnes cada vez mais dilatadas n'um contentamento de nutrição feliz.
—Oh, mulher, tu parece que vens do Repouso!
—Antes lá estivera, que não seria tão infeliz!
—Desabafa, menina, desabafa.—